Protesto em frente à universidade particular quer expulsão de estudantes que agrediram homem em Belém
Moradores, movimentos sociais e estudantes protestaram nesta quarta-feira (15) na avenida Alcindo Cacela, em frente ao Centro Universitário do Pará (Cesupa), ...
Moradores, movimentos sociais e estudantes protestaram nesta quarta-feira (15) na avenida Alcindo Cacela, em frente ao Centro Universitário do Pará (Cesupa), exigindo a expulsão dos dois estudantes de direito envolvidos em agressões contra um homem em situação de rua usando arma de eletrochoque. A via chegou a ser parcialmente fechada. As aulas funcionaram normalmente. Naraguaçu Pureza, educadora de rua do Emaús com a Pastoral Povo na Rua, confirma que a vítima tem saúde mental fragilizada e vive há anos no bairro do Umarizal, dormindo há anos frequentemente em frente à faculdade. "Ele não tem condições de se defender", relata. Durante o protesto, a própria vítima apareceu vagando pela calçada. Leila Palheta, do Coletivo Fala Perita, estava na manifestação e pede investigação séria da polícia e expulsão imediata. Os manifestantes cobraram providências da faculdade particular e responsabilização criminal por lesão corporal. Caso Cesupa: o que se sabe e o que falta saber sobre o caso Em nota, o Cesupa informou que procedeu com o afastamento cautelar dos alunos envolvidos e instaurou Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD), formando comissão interna para apurar os fatos no âmbito acadêmico e notificando os alunos. "O procedimento apuratório seguirá em curso, e o seu resultado será devidamente comunicado à comunidade, observados os prazos estabelecidos no PAD, com a urgência que o caso requer", diz a nota. Entenda o caso De acordo com as investigações, os suspeitos foram identificados como Altemar Sarmento Filho, apontado como a pessoa que usa a arma de choque, e Antônio Coelho, que teria registrado a ação. Vídeos amplamente compartilhados mostram Altemar Sarmento aproximando-se por trás e descarregando o taser nas costas do homem, que cambaleia. Antônio Coelho, colega de turma, grava e ri da situação - assista no vídeo abaixo: MPF abre investigação contra estudantes de Direito filmados agredindo morador de rua, em Belém As imagens foram registradas em pelo menos duas ocasiões na Alcindo Cacela, nas proximidades da universidade particular, onde ambos estudam. Outro vídeo gravado em fevereiro mostra agressão com extintor de incêndio contra o mesmo homem, em frente ao prédio da instituição. Testemunhas relatam que Antônio Coelho exibia o taser frequentemente na faculdade, desafiando colegas: "Leva um choque por X reais". Altemar participava das "brincadeiras". O caso só chegou à polícia porque dois entregadores de aplicativo presenciaram uma agressão na segunda-feira (13) e seguiram os agressores até a universidade, onde houve uma confusão. Altemar Sarmento e Antônio Coelho prestaram depoimento na terça-feira (14), acompanhados de advogados, e foram liberados após menos de 30 minutos. Altemar Sarmento Filho e Antonio Coelho, são suspeitos de ataque a homem em situação de rua em Belém. Redes Sociais OAB aponta racismo A Ordem dos Advogados do Brasil seção do Pará apontou racismo em uma nota de repúdio publicada na segunda-feira (13). Na nota, a OAB-PA afirmou que "não se pode ignorar a dimensão racial do caso". Não se pode ignorar, ainda, a dimensão racial do caso. A naturalização da violência contra pessoas em situação de rua, em especial negras está inserida em um contexto estrutural de racismo que histociamente desumaniza corpos negros e os submete a reiteradas formas de violencia", afirmou. A OAB-PA disse ainda que "exige apuração rigorosa pelos órgãos competentes, bem como a responsabilização e punição dos envolvidos. LEIA TAMBÉM: De colegas a suspeitos de agressão: quem são os estudantes de direito que agrediram sem-teto VÍDEO: Estudantes de direito atacam homem em situação de rua com arma de choque Moradora diz que sem-teto sofre ataques constantes de jovens em carros de luxo Em nota, a PC informou que um boletim de ocorrência foi registrado na Seccional de São Brás e um inquérito foi instaurado para investigar o caso. Já o dispositivo de choque foi apreendido e será periciado. Segundo uma moradora da região, as agressões contra a mesma vítima eram constantes e vieram à tona após uma confusão em frente à universidade particular na segunda-feira (13). No entanto, não há confirmação de quem cometeu as agressões antes. Jovens envolvidos nas agressões a morador de rua se apresentam na delegacia em Belém VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará